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Lajes do Pico, Pico, Açores

Lajes do Pico: da Caça à Baleia à Observação de Cetáceos

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Poucas vilas mudam de vocação sem perder a sua identidade. Lajes do Pico conseguiu isso: transformou-se de capital da caça à baleia em capital da sua observação, sem nunca deixar de olhar para o mesmo mar.

A primeira povoação da ilha

Segundo a tradição, foi em Lajes que desembarcaram, ainda antes de 1460, os primeiros colonizadores do Pico, vindos de uma caravela fundeada ao largo do Castelete. A Ermida de São Pedro, o primeiro edifício religioso da ilha, marca esse início do povoamento, junto ao lugar da maré onde ainda hoje se veem “torres” e “torrinhas” de madeira, elemento arquitetónico característico das casas baleeiras da vila.

Cem anos de caça ao cachalote

A caça à baleia mobilizou grande parte da população de Lajes, sobretudo nos cem anos anteriores à década de 1980. As “companhas” dos botes baleeiros e, mais tarde, os “gasolinas” que os rebocavam, eram tripulados por homens que tinham outras profissões, muitos deles agricultores, complementando o rendimento com as “soldadas” anuais da baleação. A última baleia foi capturada no Pico em novembro de 1987, já depois da proibição internacional decretada nesse mesmo ano.

O Museu dos Baleeiros

Instalado num conjunto de três casas de botes baleeiros do século XIX, o Museu dos Baleeiros é o único museu português especializado na baleação artesanal, sazonal e costeira. O acervo inclui botes, arpões, lanças e um núcleo de arte com peças de Scrimshaw, entalhadas em marfim e osso de baleia — e um documentário de Rob Fowler, filmado nos anos 1970, que retrata a atividade em bruto.

De vigia de baleias a vigia de turistas

Foi precisamente em Lajes do Pico que surgiu a primeira empresa de observação de cetáceos dos Açores, fundada por antigos baleeiros que perceberam o potencial turístico dos mesmos animais que outrora caçavam. Os antigos vigias, em pontos como Arrife, Queimada e Calheta de Nesquim, continuam a desempenhar um papel essencial — só que agora orientam barcos de turistas, não arpoadores.

Como visitar

  • O que ver: o Museu dos Baleeiros, o Monumento à Baleação de Pedro Cabrita Reis, e o Posto de Observação de Aves Selvagens da Plataforma Costeira.
  • Atividades: observação de baleias e golfinhos a partir do cais das Lajes.
  • Regatas: os antigos botes baleeiros, recuperados ou replicados, participam em regatas entre junho e setembro.

Melhor altura para visitar

A primavera traz maior probabilidade de avistar baleias de barbas; o verão soma espécies residentes e visitantes sazonais.

Nas proximidades

O sistema lagunar junto à zona balnear é um importante refúgio de aves residentes e migratórias.

Depois de Lajes do Pico, siga para o interior da ilha para conhecer a Montanha do Pico, ou continue pela costa para explorar mais das piscinas naturais que pontuam todo o litoral.

Saiba mais sobre a observação de baleias nos Açores.

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