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The Impérios

Os Impérios: as Capelas Coloridas do Culto ao Divino Espírito Santo

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Não há praticamente nenhuma freguesia na Terceira sem o seu Império: um pequeno edifício, muitas vezes pintado em cores vivas, que serve de sede a uma irmandade e de palco a uma das tradições mais enraizadas do arquipélago.

Uma devoção com raízes medievais

O culto ao Divino Espírito Santo remonta ao século XIII, associado à Rainha Santa Isabel, que promovia a coroação simbólica dos pobres e a distribuição de alimentos como gesto de humildade e igualdade social. Trazida pelos colonos no povoamento dos Açores, no século XV, a tradição desenvolveu-se de forma particularmente intensa e sistemática na ilha Terceira.

Do alpendre de madeira à capela ornamentada

Os primeiros Impérios, no século XVIII, eram estruturas simples de madeira, desmontadas após cada festividade. O primeiro exemplar em alvenaria de pedra de que há registo é o Império dos Nobres, na Horta, construído por volta de 1759. Ao longo do século XIX, a arquitetura foi ganhando um caráter cada vez mais festivo e ornamentado — algo sem paralelo no resto da arquitetura religiosa açoriana ou continental.

58 impérios só na Terceira

A ilha conta atualmente com 58 impérios, a maior concentração do arquipélago, construídos entre 1670 e 1998. São normalmente edifícios quadrangulares ou retangulares, de um só piso, por vezes com uma dependência anexa — a despensa — onde se guardam o pão, a carne e o vinho usados nas festividades.

O que acontece dentro de um império

Durante as semanas de festa, realizam-se as “alumiações”, momentos de veneração das insígnias do Divino — a coroa e o ceptro — na casa do Imperador, seguidos de terço rezado à noite. As “domingas” levam a bandeira vermelha, com a pomba branca do Espírito Santo, de casa em casa pela freguesia, culminando em cortejos, distribuição de sopas e refeições comunitárias.

Como visitar

  • Melhor forma de ver: percorrer de carro as freguesias da ilha, já que quase todas têm o seu império junto à igreja principal.
  • Época festiva: entre a Páscoa e o verão, quando os impérios ganham vida com as celebrações do Divino.
  • Respeito local: muitos impérios só abrem ao público durante as festividades; fora dessa época, admire-os pelo exterior.

Nas proximidades

Angra do Heroísmo e Praia da Vitória concentram alguns dos exemplares mais ornamentados, fáceis de incluir num passeio pelo centro histórico.

Depois de conhecer os impérios, complete o roteiro pela Terceira com uma visita ao Algar do Carvão ou à Serra do Cume, para ver a paisagem natural que emoldura estas tradições centenárias.

Saiba mais sobre o património cultural dos Açores.

Imagem de destaque — Foto: Diego Delso / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0

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