Queijo São Jorge: 500 Anos de Tradição Trazida por Colonos Flamengos
Poucos produtos resumem tão bem uma ilha como o Queijo São Jorge resume São Jorge: forte, curado ao longo de meses, e com uma receita que atravessou cinco séculos praticamente sem mudar.
Trazido por colonos flamengos no século XV
A produção de queijo em São Jorge remonta aos primórdios do povoamento da ilha, em meados do século XV. O flamengo Wilhelm van der Haegen, que se instalou na zona do Topo, incentivou os membros da sua comunidade — também de origem flamenga e experientes na produção de carne, leite e laticínios — a fazer queijo, aproveitando um clima nas zonas altas da ilha semelhante ao da sua terra de origem.
Um método quase inalterado há 500 anos
Segundo a Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, a singularidade do Queijo São Jorge deve-se tanto às condições edafo-climáticas da ilha como ao método de produção, praticamente inalterado ao longo dos seus cerca de 500 anos de existência. O leite cru é coalhado com coalho animal, prensado, e deixado a curar durante pelo menos 90 dias — 30 à temperatura ambiente e um mínimo de 60 dias adicionais a 12-14ºC.
Denominação de Origem Protegida desde 1986
A Região Demarcada do Queijo São Jorge foi criada em 1986, o mesmo ano em que se fundou a UNIQUEIJO, a União de Cooperativas Agrícolas de Laticínios de São Jorge, hoje responsável pela produção certificada. A Confraria do Queijo São Jorge atua como entidade certificadora desde 1991.
O DOP mais produzido de Portugal
Com cerca de 2.200 toneladas produzidas anualmente — o que representa mais de metade de toda a produção nacional de queijos DOP —, o Queijo São Jorge sustenta uma parte significativa da economia da ilha, alimentado por cerca de 200 lavradores e um efetivo de 20 mil cabeças de gado bovino.
Como provar e visitar
- Onde experimentar: qualquer restaurante ou mercearia da ilha, com curas que vão do mais suave (3 meses) ao mais forte (40 meses).
- Visitas guiadas: algumas cooperativas, como a Uniqueijo em Velas, oferecem visitas ao processo de fabrico.
- Como reconhecer o original: procure o selo de caseína numerado, que identifica o produtor e a idade do queijo.
Nas proximidades
Vila das Velas, sede da Uniqueijo, é um bom ponto de partida para conhecer o processo de fabrico.
Depois de provar o Queijo São Jorge, combine a experiência com uma visita ao Café Nunes, na Fajã dos Vimes, para completar o roteiro gastronómico da ilha.
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